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2018/04/16
APRESENTAÇÃO DO LIVRO "A Fábrica", de MARGARIDA POGARELL
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GUEDIEIROS JÁ TEVE FÁBRICA DE EXPLOSIVOS NO FINAL DO SÉCULO XIX

Depois de nos ter brindado com algumas obras literárias infantis, a escritora Margarida Pogarell apresentou numa sessão pública na Biblioteca Municipal no passado dia 31 de março, a sua obra mais recente a que deu o título “ A Fábrica”.

Nascida em Almada, é licenciada em Línguas e Literaturas Modernas e vive na Alemanha desde 1988 onde é professora de português.

Não foi ao acaso que o livro foi apresentado em Tabuaço, já que toda a história tem início neste concelho mais propriamente em Guedieiros, na freguesia de Sendim, e remota ao século XIX.

O título do livro é sugestivo, porque foi nesta terra que existiu uma fábrica de pólvora negra, onde ainda hoje se podem ver os vestígios de uma unidade fabril que em tempos forneceu a pólvora para a construção da estrada 323 projectada por Tito de Noronha e ainda a abertura da linha de caminho-de-ferro do Douro. Com o final destas duas obras e a distância até ao Pinhão, onde o produto era levado em animais para transporte fluvial e daqui para outros pontos do país e estrangeiro, levou o seu proprietário Libânio Augusto d’Oliveira, a transferir as instalações para um local que fosse mais perto dos portos de mar, com vista ao envio da pólvora para África um mercado de interesse para a colocação do produto tendo em conta o início do desenvolvimento através das vias de comunicação até então inexistentes. O novo complexo industrial viria a ser construído em Vale de Milhaços na margem sul do Tejo e a sua expansão foi rápida quer em instalações quer no seu funcionamento. Muito diferente da fábrica de Guedieiros que era movida pela água armazenada numa represa a uma cota superior no rio Távora, passando depois em Vale de Milhaços a funcionar com máquinas a vapor. O livro está repleto de testemunhos e fotos de pessoas que trabalharam na fábrica e todo o desenvolvimento à época onde as pessoas viviam tempos difíceis e relata os sucessivos acidentes de explosões com os resultados nefastos que normalmente estes casos acarretam, inclusive o acidente ocorrido em Guedieiros em 1892, onde três operários perderam a vida. Ao longo de toda a sua história, e até ao encerramento da fábrica em 2003, houve muitas explosões das quais resultaram várias mortes, entre elas a mãe da escritora que não resistiu aos ferimentos. Este ponto aqui e como é compreensível, torna-se delicado para a autora do livro, já que pelo desgosto causado pela perda da sua progenitora, teve de fazer uma pesquisa exaustiva, recorrendo a pessoas e instituições para consulta de arquivos. Para além disso e para que a sua “história” retratasse o mais fiel possível todos os acontecimentos, teve de visitar a fábrica mais que uma vez, local de onde guarda tristes recordações.

Aconselhamos a leitura deste livro e tal como o Presidente da Câmara Carlos Carvalho, disse na sua apresentação, é através desta obra que se pode conhecer mais a história do concelho de Tabuaço e a sua influência de interesses que teve para certos fins.

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