Sábado, 29 Abril 2017
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O INCÊNDIO NO MOSTEIRO DE S. PEDRO DAS ÁGUIAS

"Pessoas coevas deste acontecimento contaram-mo assim: uma grande parte das freguesias de Távora, Granjinha, Paradela, Pereiro, etc., era foreira ao mosteiro. [Com a extinção das ordens religiosas pelo Estado, em 1834], pareceu aos povos destas freguesias ocasião azada para se eximirem ao pagamento dos respectivos foros. O Estado tinha roubado os frades e por isso os foreiros entenderam poder fazer o mesmo ao Estado, visto que ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão.

 

Havia, porém, uma dificuldade: no convento existia o tombo das propriedades e foros. Era mister fazê-lo desaparecer. Reunidos os foreiros, deliberaram cortar o mal pela raiz incendiando o convento. Se a deliberação foi rápida, a execução não o foi menos.

 

Uma noite o convento apareceu em chamas. Não houve pressa em prestar-lhe socorros. Só quando o fogo já ia lambendo a igreja é que chegaram. A igreja salvou-se, mas nunca mais foi consagrada ao culto católico. Hoje é um templo...de Baco. Existe ali uma respeitável adega. O remédio foi eficaz: nunca mais ninguém pagou foros."

 

 

FONTE: FREITAS, Luis de - Taboaço: Notas & Lendas, Vila Nova de Famalicão, Tipografia Minerva, 1915, pp. 49-50