Sábado, 25 Março 2017
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A PROCISSÃO DAS ALMAS

Sempre se ouviu dizer que à volta da Igreja Matriz de Tabuaço, em certas noites, saía uma procissão com luzes estranhas. Mas nem toda a gente a via, só algumas pessoas tinham o dom de a ver.

 

Conta-se que uma vez uma mulher já velhinha não tinha lumes em casa e, ao ver passar a procissão, pensando ser uma procissão comum, foi lá pedir que lhe dessem lume. Deram-lhe, então, uma vela para a mão, ao mesmo tempo que ouviu uma voz dizer:

 

- Quem vai, vai; quem está, está!

 

Pegou na vela, levou-a para casa e não se apagou! Meteu-a numa caixa, ainda acesa, e a vela nem fogo pegou à caixa...aquilo não era coisa deste mundo!

 

Também se conta, a propósito destas procissões, que um rapaz da Vila de Tabuaço, tendo perdido a mãe ainda criança, foi criado por uma tecedeira que vivia sozinha. O rapaz cresceu e tornou-se pedreiro. Todo o dinheiro que ganhava entregava à tecedeira para que lho guardasse. Certa altura conheceu uma rapariga e logo mostrou vontade de casar com ela mas primeiro queria construir uma casa para os dois. A tecedeira, que toda a vida lhe tinha guardado o dinheiro, morreu subitamente e ele nunca soube onde ela arrecadava o dinheiro. Foi ter com o padre responsável pela freguesia que o instruiu:

 

- À meia-noite, vais ao pé do adro da igreja, espera até veres passar uma procissão de velas e repara se a tecedeira lá vai. Assim que a vires, pergunta-lhe onde guardou ela o dinheiro.


O jovem pedreiro assim fez. Esperou, esperou, até que viu passar a dita procissão de que o senhor padre lhe falava. Aproximou-se das luzes que andavam em redor da igreja mas o medo foi tal que, todo arrepiado, acabou por fugir.

Voltou a ir falar com o senhor padre que o aconselhou a voltar ao pé da igreja, à meia-noite, e que olhasse bem, a tecedeira, tendo sido a última pessoa a morrer, o mais certo é que seguisse em último na dita procissão.

Desesperado o rapaz assim fez. E lá estava ele, à meia-noite. Reparou então que a última vela que passava era, de facto, a tecedeira. Chegou-se perto dela e perguntou-lhe onde deixou guardado o dinheiro.

 

- O dinheiro está atrás do tear. Aproveita e com ele manda rezar umas missas por minha alma.

 

Foi verificar e, realmente, o dinheiro lá estava, atrás do tear como a alma lho tinha dito.

 

Há quem diga que o rapaz podia ter ficado tolhido, que isto das procissões das almas não é para brincadeiras. Acredita-se que cada uma que lá vai anda a cumprir as suas penas e que ninguém se deve meter com elas.