Quinta-feira, 27 Abril 2017
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A LENDA DAS OPAS BRANCAS

Conta-se que em Sendim existiu um homem que, embora casado com uma mulher muito devota e temente a Deus, não acreditava, dizia ele, nem em Deus nem no Diabo. Não era homem de grande conduta, chegava até a ser corrupto, roubando água dos poços e tudo o mais que ia, pela noite, encontrando no caminho. A mulher, bem o avisava que Deus o podia castigar e ele dizia.

 

- Qual Deus, qual Diabo, não acredito nem num nem no outro!

 

Certa noite, uma sexta-feira, bem perto da meia-noite, disse à mulher que ia sair. Ela bem o tentou impedir, alertando até que chegava a hora das almas, que era perigoso. E ele tornava:

 

- Qual Deus, qual Diabo, não acredito nem num nem no outro!

 

Tanto fez a mulher teimar como não teimar. Saiu de casa, de sacho às costas e, ao chegar perto de Santo Ovídio, começou a ouvir as rezas e ladainhas das procissões e a ver vultos, vestidos com opas brancas e carregando pedras às costas. Ao passarem por ele, cantando e rezando, o homem caiu redondo no chão mas nunca perdeu os sentidos. Conseguia ver e ouvir tudo na perfeição. As almas, chegadas a santo Ovídio, acabaram com a procissão, deitaram as pedras que carregavam ao chão e desapareceram.

 

Com algum esforço conseguiu levantar-se e chegar a casa. Dando conta do estado do marido, assustado e muito abatido, a mulher bem lhe perguntou o que tinha e o que sentia mas da sua boca só proferiu, com voz trémula:

 

- Doente...doente...doente.

 

Conta-se na freguesia que nunca mais teve saúde, nunca mais trabalhou...