Sábado, 16 Dezembro 2017
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Tradições de São João

Tabuaço, terra de gente devota e afeiçoada à fé, também soube aliar a sua devoção à festa e à folia. Santa Bárbara, S. Torcato, Senhora dos Milagres, Santa Eufémia ou S. João são alguns dos muitos santos da devoção dos tabuacenses e habitantes do concelho.
O S. João, santo popular e, provavelmente, o mais folião do concelho, traz consigo alguns dos mais populares costumes. Conheça, entre outros, a tradição das favas, do ovo, o jogo do azevinho, dos nomes ou das alcachofras. (Tradição oral)




A crença das favas

Era costume, na noite de S. João, antes da meia-noite, as raparigas “casadoiras” colocarem três favas debaixo do travesseiro de dormir. As regras ditavam que uma fava devia estar inteira de pele, outra com a pele pela metade e a outra completamente despida (descascada). Passada a meia-noite, a rapariga havia de ir tirar a sua sorte. Pegava numa fava e assim se ditava a sua sina: se lhe calhasse a fava inteira de pele havia de casar rica, remediada ficava se a mão lhe tirasse a fava com a pele pela metade mas pobre havia de casar se à mão lhe viesse parar a fava despida.


A crença do Ovo

Na noite de S. João, exactamente à meia-noite, pega-se num copo que há-de estar meio de água e para onde se parte um ovo.
A sina será vista antes do sol nascer mediante a transformação que o ovo sofreu: a forma de um barco ditará em sina uma viagem, se uma capela, um casamento, mas, se aparecer uma cruz, a sina será… a morte.

 

A crença do azevinho

Em noite de S. João, chegada a meia-noite, corta-se um ramo de azevinho que se leva para casa. Na primeira oportunidade, passa-se o ramo de azevinho pela água do mar dizendo a seguinte lenga-lenga: Oh meu rico S. João, que nada me falte na vida, nem amor, nem felicidade, nem dinheiro.
S. João, dizem os mais crentes, há-de ouvir…

 

A sina dos nomes

Em dia de S. João, antes que o sol nasça, o rapaz ou rapariga há-de ir a uma fonte buscar água. O primeiro nome de mulher ou de homem (tratando-se de rapaz ou rapariga) que ouvir será, o que o S. João lhe destinará para casar. Caso vá e volte da fonte e nenhum nome lhe soou, o S. João guarda para ele o celibato…


A crença da Alcachofra

Na noite de S. João, ao saltar a fogueira com a alcachofra na mão, como aliás manda a tradição, esta há-de murchar. No entanto, se ao outro dia ela aparecer florida é sinal que alguém gosta dessa pessoa, embora ela não o saiba.


A crença do alguidar

Em noite de S. João, enche-se com água um alguidar. Nele hão-de deitar-se pequenos papeis dobrados, onde se escreveram o nome de rapazes ou de raparigas, conforme o caso. Antes que o sol nasça verifica-se o alguidar. O papel que estiver desdobrado há-de ser o par que S. João lhe reserva para casar.


A crença do “fieito” (pequeno arbusto)

À meia-noite, da noite de S. João, quem quiser saber a sua sina, irá colocar um lençol de linho por baixo de fieitos. Antes que o sol nasça, é quando se deverá conhecer a sina: se o lençol estiver com a flor dos fieitos, a pessoa há-de ser rica toda a vida.
A crença popular também diz que a única noite em que se pode ver a flor deste pequeno arbusto é, precisamente, na noite de S. João.

 

Rivalidade Fundo e Cimo de Vila

Pelo S. João, faziam-se antigamente festejos populares e as tradicionais cascatas, muito concorridas pelo povo de cima e pelo povo de baixo. Cada um dos povos gostava de apresentar a melhor cascata e o melhor baile. Num ano, os do povo de baixo foram ao povo de cima e, como os viram a dormir, roubaram a cascata. Houve então pancadaria rija entre os dois povos.

Durante muitos anos deixaram de se fazer as cascatas em honra de S. João, sendo esta tradição resgatada há cerca de três anos pelo Rancho do Fundo de Vila, em Tabuaço. Desde então, é construída uma cascata no Fundo de Vila e uma outra no Cimo. Assim, se mantém a tradição da rivalidade entre os dois povos.