Segunda-feira, 23 Outubro 2017
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Francisco António Bello de Carvalho

Francisco António Bello de Carvalho – Professor

Nasceu em Santa Leocádia, a 1 de Novembro de 1848, e foi o primeiro professor do ensino primário nesta localidade onde residiu oito anos na companhia da jovem esposa que aqui ensinou meninas. Depois de uma vida atormentada, a esposa morreu-lhe aos vinte e um anos de idade, deixando uma criança como fruto do casamento. Foi o primeiro cadáver a ser sepultado no cemitério de Santa Leocádia.

O prof. Bello de Carvalho intercedeu junto do rei D. Luís (1861-1889) para a criação da escola que funcionou durante anos numa dependência pertencente à igreja.
Como contraiu tuberculose (ou tísica, como se dizia nesse tempo) procurou os ares saudáveis da Ilha da Madeira na esperança da cura. Aqui escreveu alguns livros de versos que não terá chegado a editar e outro sobre a história da ilha em que provou ter sido um inglês a descobri-la, antes de João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira lá terem aportado.
O prof. Bello de Carvalho terá conhecido na ilha (Câmara de Lobos) uma jovem rapariga, Eulália de Ascenção Pestana, com quem casou, da família do ilustre médico madeirense Câmara Pestana.

Apenas conseguimos encontrar um livro manuscrito do autor, datado de 1874, graças à gentileza do Eng.º Boaventura Gonçalves de Freitas que no-lo emprestou. Contém produções em verso escritas em Câmara de Lobos, já que no fim do prefácio podemos ler:
"Câmara de Lobos, 20 de Novembro de 1874". Alguns dos belos poemas são datados de Achada, 6 de Agosto de 1874; Madeira, 18 de Janeiro de 1876; Rabaçal, 24 e 25 de Julho de 1876; e Santa Leocádia, 28 de Novembro de 1877.
O autor foi para a Madeira em Outubro de 1873 e terá regressado em fins de Julho de 1877, ano em que já se encontrava em Santa Leocádia, curado ou suavizado da "pneumonia aguda", como confessa no referido e curioso prefácio, em caligrafia e estilo impecáveis. Nele vêm ao de cima a sua formação e cultura literária, o seu saber, as suas preferências, o amor ao estudo e, sobretudo, o gosto pela poesia.