Quinta-feira, 17 Agosto 2017
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Abel Botelho

Abel Botelho – Diplomata e Escritor

Abel Acácio de Almeida Botelho nasceu em Tabuaço, a 23 de Setembro de 1856, filho de Luís Carlos de Almeida Botelho, major de infantaria e professor do liceu de Vila Real e de Maria Preciosa de Azevedo Leitão.

O pai destinara-o a frequentar um curso universitário, mas o seu falecimento prematuro (Abel Botelho ficou órfão de pai aos doze anos) ditou outro rumo na carreira do jovem Abel que, entretanto, entrou para o Real Colégio Militar, na qualidade de pensionista do Estado. Cursou o colégio de 1867 a 1872, ingressando depois na Escola Politécnica de Lisboa até 1876. Entre 1876 e 1878 frequentou o curso de Estado Maior na Escola do Exército. É a partir dessa altura que começou a afirmar a qualidade do seu talento de jornalista, crítico de arte, dramaturgo e escritor, o que levou Luciano Cordeiro - professor de Literatura e Filosofia do Colégio Militar, e um vulto destacado do jornalismo e das letras - a incentivá-lo.

Abel Botelho fez estreia literária em 1877 na Revista Literária, do Porto, em poesia, tendo também assinado vários trabalhos sobre Filosofia da Arte que tiveram certo impacto nos espíritos mais cultos da época. Casou em 1881 e foi promovido a capitão nesse mesmo ano.

Em 1903 elaborou um Dicionário de abreviaturas, em latim, para uso antropométrico, que mereceu as maiores referências elogiosas. Em latim, por se prestar melhor à sua internacionalização. Logo que teve conhecimento do Dicionário, a Procuradoria Régia da Relação do Porto fê-lo adoptar em todas as comarcas dependentes dela.
Foi colaborador assíduo do Diário da Manhã, onde deixou vários contos que mais tarde coligiu e reuniu no livro “Mulheres da Beira”, porventura o mais divulgado de Abel Botelho, granjeando-lhe grande popularidade. Colaborou noutros jornais e veio a dirigir o jornal “Repórter”, até à sua extinção.

Escreveu uma comédia, mordaz, satírica e critica em relação à sociedade do tempo, intitulando-a de “Jucunda”. Foi representada pela primeira vez, no Teatro Ginásio, seguindo-se a peça “Vencidos da Vida”, uma comédia de Cherge em três actos, que obteve enorme êxito e ruído da crítica lisboeta. Foi proibida depois de várias representações, por ter sido considerada inconveniente porque visava personalidades conhecidas da cena política, inclusivamente um ministro. Classificada a peça de inconveniente "por ofender a moral pública" (!) foi retirada de cena.

Escreveu ainda as peças “Claudina” e a “Imaculável”, representada em 1897, também com enorme sucesso, no Teatro D. Maria, causando, do mesmo modo, escândalo junto dos meios conservadores alfacinhas.

O seu primeiro livro impresso (1885) intitulou-se de "Lira Insubmissa". Mas a maior projecção alcançou-a por via do romance, escrito através de vários volumes que fazem parte do ciclo "Patologia Social": “O Barão de Lavos”, “O Livro de Alda”, “Amanhã”, “Fatal Dilema” e “Próspero-Fortuna”. “O Barão de Lavos” revelou ser um autêntico best-seller, tendo esgotado em quinze dias.
Em 1900 publicou a novela “Sem Remédio”, e em 1904 o romance “Os Lázaros”, que havia saído em folhetins no jornal "O Dia" e causou pruridos no meio social e aristocrático de Lisboa.

Modernamente, Abel Botelho foi classificado de "iniciador do naturalismo de Emílio Zola aplicado à ficção portuguesa".
Alguns dos romances de Abel Botelho tiveram várias edições e foi traduzido para italiano, francês e castelhano. Deixou invejável obra literária e ficou na história da literatura como um dos seus grandes expoentes do último século, do período do Neogarretismo, ou, se quisermos, do agrupamento político-literário comprometido com os ideais da República, na fase mais amadurecida do militar-escritor Abel Botelho.

O compositor Armando Leça escreveu a música para acompanhar, de entre outros, o filme “Mulheres da Beira”.